o Dani Black é mesmo um sujeito
nobre de simples. desce a Rua Faro preguiçoso, queria conversa. quando não
encasqueta de tomar café depois de uma tigela de açaí conforma-se com um suco,
sim, laranja para mim também. no caminho do bar, cantarola oitava abaixo,
oitava acima, falseia, o que é bom para o dono é bom para a voz, larari,
larará. e o projeto? se interessa, discorre sobre o disco do Criolo, pondera,
concorda comigo, puta produção, mas. franze a sobrancelha, não sabe bem onde se
sentar, então para. é minha irmã, de Nova Iorque, sussurra e retoma a ligação.
eu só faço fumar e coço a barba e olho no olho enquanto ouço, mas nunca quando
falo, eu sei. Dani tem um charme paulista, dirige-se à garçonete com arrogância
irresistível. diz que “Boom” é a melhor música do disco, minha melhor música,
ele acha. é emocionalmente imaturo, reflete, mas sem grilo aparente. aponta
aqui e ali esse e aquele defeito do Rio, falta grana para ficar de vez, em
março toca no Porto. as meninas nem deram nossa falta, reclamo. distraíam-se
com o artesanato ou vai ver aproveitavam a ausência do Léo Rosa para pintar e
bordar que é, enfim, o que fazem melhor quando não se dedicam ao amor. tarde
feliz no Caroline Café, depois no Bibi. agora ele cismava de comer crepe de
strogonoff, oferece. obrigado, tô sem grana. e tô mesmo, mas o Dani pagou tudo e
voltamos. e voltamos no tempo. não, nunca fomos rivais, concluí. mesmo a
malograda parceria de “Soberbo”, título que me faz jus, minhas desfeitas, suas
desfeitas, vá lá, mesmo o coração da mesma menina a dividir-se (imagina!),
formamos bela dupla e desde o trágico Reveillon de Angra quando então nos
conhecemos e ganhamos um torneio de sei lá que jogo e eu sabia que estava
diante de um letrista à minha altura e ele também, só talvez nos suspeitávamos.
hoje, porém, que nada. o sol se pôs mansinho no Jardim Botânico para ver
brilhar o que na minha cabeça é importante de simples. arte é conversa fiada.
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