sexta-feira, 10 de maio de 2013


o Dani Black é mesmo um sujeito nobre de simples. desce a Rua Faro preguiçoso, queria conversa. quando não encasqueta de tomar café depois de uma tigela de açaí conforma-se com um suco, sim, laranja para mim também. no caminho do bar, cantarola oitava abaixo, oitava acima, falseia, o que é bom para o dono é bom para a voz, larari, larará. e o projeto? se interessa, discorre sobre o disco do Criolo, pondera, concorda comigo, puta produção, mas. franze a sobrancelha, não sabe bem onde se sentar, então para. é minha irmã, de Nova Iorque, sussurra e retoma a ligação. eu só faço fumar e coço a barba e olho no olho enquanto ouço, mas nunca quando falo, eu sei. Dani tem um charme paulista, dirige-se à garçonete com arrogância irresistível. diz que “Boom” é a melhor música do disco, minha melhor música, ele acha. é emocionalmente imaturo, reflete, mas sem grilo aparente. aponta aqui e ali esse e aquele defeito do Rio, falta grana para ficar de vez, em março toca no Porto. as meninas nem deram nossa falta, reclamo. distraíam-se com o artesanato ou vai ver aproveitavam a ausência do Léo Rosa para pintar e bordar que é, enfim, o que fazem melhor quando não se dedicam ao amor. tarde feliz no Caroline Café, depois no Bibi. agora ele cismava de comer crepe de strogonoff, oferece. obrigado, tô sem grana. e tô mesmo, mas o Dani pagou tudo e voltamos. e voltamos no tempo. não, nunca fomos rivais, concluí. mesmo a malograda parceria de “Soberbo”, título que me faz jus, minhas desfeitas, suas desfeitas, vá lá, mesmo o coração da mesma menina a dividir-se (imagina!), formamos bela dupla e desde o trágico Reveillon de Angra quando então nos conhecemos e ganhamos um torneio de sei lá que jogo e eu sabia que estava diante de um letrista à minha altura e ele também, só talvez nos suspeitávamos. hoje, porém, que nada. o sol se pôs mansinho no Jardim Botânico para ver brilhar o que na minha cabeça é importante de simples. arte é conversa fiada.

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